A diarreia é uma das queixas mais comuns no consultório de gastroenterologia. Embora na maioria dos casos seja passageira e autolimitada, ela pode ser sinal de condições que merecem atenção médica. Entender suas causas, reconhecer os sintomas de alerta e saber quando procurar ajuda faz toda a diferença para a sua saúde.
O que é diarreia?
Define-se diarreia como a ocorrência de três ou mais evacuações líquidas ou amolecidas em 24 horas. Ela pode aparecer de forma isolada ou acompanhada de outros sintomas, como náuseas, vômitos, cólicas e febre.
Quanto à duração, a diarreia é classificada em:
- Aguda: dura menos de 4 semanas — geralmente causada por infecções virais ou bacterianas;
- Crônica: persiste por mais de 1 mês — pode indicar doenças inflamatórias intestinais, síndrome do intestino irritável (SII), doença celíaca ou outras condições que exigem investigação.
Sintomas da diarreia
Além das fezes líquidas ou amolecidas, a diarreia pode vir acompanhada de outros sinais. Fique atento a:
- Cólicas e dores abdominais
- Febre
- Dores no corpo e cefaleia
- Urgência para evacuar
- Náuseas e vômitos
- Presença de sangue ou muco nas fezes (sinal de alerta)
Atenção à desidratação
A principal complicação da diarreia é a desidratação — especialmente perigosa em crianças pequenas, idosos e pessoas imunocomprometidas. Os sinais incluem:
- Sede intensa e boca seca
- Urina escura ou em pequena quantidade
- Fraqueza, tontura ou sensação de desmaio
- Olhos fundos e pele sem elasticidade
- Irritabilidade (especialmente em crianças)
Quando consultar um gastroenterologista?
A maioria dos episódios de diarreia aguda melhora espontaneamente em 2 a 3 dias. No entanto, alguns sinais indicam que é hora de buscar avaliação médica.
Em adultos, procure o médico se:
- A diarreia persistir por mais de 2 dias sem melhora
- Houver sinais de desidratação
- Aparecer sangue ou fezes escuras (melena)
- Houver dor abdominal ou retal intensa
- A febre for persistente ou elevada
Em crianças, procure o pediatra se:
- A diarreia não melhorar em 24 horas
- Houver febre acima de 39 °C
- As fezes forem sangrentas ou escuras
- A criança apresentar sinais de desidratação
Apresentou algum desses sinais? Uma consulta com gastroenterologista pode identificar a causa e evitar complicações. Não espere os sintomas piorarem.
Causas da diarreia
As causas variam conforme o tipo (aguda ou crônica) e o perfil do paciente. As mais frequentes incluem:
Causas infecciosas
Vírus (norovírus, rotavírus, adenovírus, COVID-19): principal causa de diarreia aguda, especialmente em crianças.
Bactérias (E. coli, Clostridioides difficile, Salmonella): frequentes em surtos alimentares, viagens e uso de antibióticos.
Parasitas: mais comuns em regiões com saneamento deficiente.
Causas não infecciosas
- Intolerância à lactose ou à frutose
- Uso de medicamentos (antibióticos, quimioterapia, antiácidos com magnésio)
- Adoçantes artificiais (sorbitol, manitol, eritritol)
- Cirurgias intestinais ou da vesícula biliar
- Doenças crônicas: SII, doença de Crohn, colite ulcerativa, doença celíaca, SIBO
Como é feito o diagnóstico?
Na maioria dos casos agudos, o diagnóstico é clínico — baseado na história e nos sintomas. Quando a diarreia persiste ou há sinais de alerta, o médico pode solicitar:
- Exames de sangue (hemograma, PCR, função renal, eletrólitos)
- Exame de fezes (coprocultura, parasitológico)
- Teste respiratório de hidrogênio (para intolerâncias e SIBO)
- Colonoscopia ou endoscopia digestiva alta
- Biópsia intestinal (para suspeita de doença celíaca ou DII)
Tratamento da diarreia
O tratamento depende da causa e da gravidade. Na diarreia aguda leve, medidas simples costumam ser suficientes:
1. Hidratação — a medida mais importante
- Beba cerca de 200 ml de água ou soro de reidratação oral após cada evacuação líquida
- Prefira água, chás claros e caldos — evite refrigerantes, sucos concentrados e bebidas com cafeína ou álcool
- Em crianças, idosos e pessoas com doenças de base, priorize o soro de reidratação oral
2. Alimentação
- Mantenha a alimentação habitual, conforme o apetite permitir — não é necessário ‘jejuar’
- Prefira alimentos de fácil digestão: arroz, batata cozida, cenoura, banana e frango grelhado
- Evite gorduras, frituras, temperos fortes, leite em excesso e alimentos crus
3. Medicamentos
Evite automedicar-se com antidiarreicos sem orientação médica. Em infecções bacterianas ou parasitárias, esse tipo de medicamento pode piorar o quadro ao impedir a eliminação do agente causador. O uso de antibióticos, antiparasitários ou probióticos deve ser individualizado e sempre avaliado pelo médico.
Como prevenir a diarreia?
Boa parte dos episódios de diarreia infecciosa pode ser evitada com medidas simples:
- Higienize as mãos com frequência, especialmente antes de comer, após usar o banheiro e ao trocar fraldas — esfregue com sabão por pelo menos 20 segundos
- Em locais sem pia, use álcool gel com pelo menos 60% de álcool
- Consuma alimentos bem cozidos e água tratada ou filtrada
- Ao viajar para regiões de saneamento precário, evite gelo, frutas sem casca e alimentos crus
- Mantenha a vacinação em dia: o rotavírus, principal causa de diarreia grave em bebês, tem vacina disponível no calendário nacional
Quando a diarreia persiste, retorna com frequência ou vem acompanhada de sangue, perda de peso ou febre, é fundamental uma avaliação especializada. Como gastroenterologista, posso investigar a causa e indicar o tratamento mais adequado para o seu caso. Agende sua consulta e cuide da saúde do seu intestino.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. Cada caso é único e merece avaliação individualizada.
