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Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE): Causas, Sintomas e Tratamentos

DRGE - Doença do refluxo gastroesofágico

A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) é uma condição digestiva crônica que afeta milhões de brasileiros. Ela ocorre quando o ácido produzido pelo estômago retorna repetidamente para o esôfago — o tubo que conecta a boca ao estômago — irritando e lesionando seu revestimento interno.

Embora o refluxo ácido ocasional seja comum e inofensivo, quando se torna frequente pode evoluir para uma doença séria, com complicações que vão muito além da simples azia.


O Que É a Doença do Refluxo Gastroesofágico?

O diagnóstico de DRGE é estabelecido quando os sintomas de refluxo ácido ocorrem mais de duas vezes por semana ou quando causam lesões visíveis no esôfago. Nesse estágio, mudanças no estilo de vida e medicamentos de venda livre podem não ser suficientes, sendo fundamental a avaliação por um médico gastroenterologista.


Quais São os Sintomas do Refluxo?

Os sintomas da DRGE variam de pessoa para pessoa. Os mais comuns incluem:

  • 🔥 Queimação no peito (azia) — geralmente após as refeições ou ao deitar
  • Dor no peito
  • Dificuldade para engolir (disfagia)
  • Regurgitação de alimentos ou líquido azedo
  • Sensação de nó na garganta

Sintomas do Refluxo Noturno

Quando o refluxo ocorre durante o sono, outros sinais podem surgir:

  • Tosse crônica persistente
  • Laringite de repetição
  • Asma nova ou agravamento da asma existente
  • Sono fragmentado e interrompido

⚠️ Atenção: Se você apresenta qualquer um desses sintomas com frequência, procure um especialista. O diagnóstico precoce é essencial para prevenir complicações graves.


O Que Causa a Doença do Refluxo?

O principal mecanismo da DRGE envolve o esfíncter esofágico inferior — um anel muscular localizado na parte de baixo do esôfago que, ao engolirmos, abre para permitir a passagem do alimento e fecha logo em seguida.

Quando esse músculo enfraquece ou relaxa de forma inadequada, o ácido estomacal sobe para o esôfago. Esse contato repetido com o ácido provoca inflamação (esofagite) e, ao longo do tempo, pode levar a complicações sérias como:

  • Estenose esofágica — estreitamento do esôfago por formação de tecido cicatricial
  • Úlcera esofágica — ferida aberta que pode sangrar e causar dor intensa
  • Esôfago de Barrett — alteração pré-cancerosa do revestimento do esôfago, associada a risco aumentado de câncer

Fatores de Risco para DRGE

Algumas condições aumentam a probabilidade de desenvolver refluxo gastroesofágico:

  • Obesidade — o excesso de peso pressiona o abdômen e favorece o refluxo
  • Hérnia de hiato — protrusão de uma porção do estômago através do hiato esofágico do diafragma para a cavidade torácica.
  • Gravidez
  • Esclerodermia e outros distúrbios do tecido conjuntivo
  • Esvaziamento gástrico retardado

Hábitos Que Agravam o Refluxo

Além dos fatores de risco, certos comportamentos podem intensificar os sintomas:

  • Fumar
  • Fazer refeições grandes ou comer próximo ao horário de dormir
  • Consumir alimentos gordurosos, fritos, condimentados ou ácidos
  • Beber álcool e café em excesso
  • Usar medicamentos como aspirina e anti-inflamatórios

Como Diagnosticar o Refluxo Gastroesofágico?

O diagnóstico pode ser iniciado com a avaliação clínica — histórico dos sintomas e exame físico. Para confirmar a DRGE ou identificar complicações, o gastroenterologista pode solicitar:

🔍 Endoscopia Digestiva Alta

Exame padrão-ouro para avaliação do esôfago e estômago. Um endoscópio (tubo fino e flexível com câmera) é introduzido pela boca sob sedação, permitindo visualizar inflamações, úlceras e lesões. Também possibilita a coleta de biópsias para detectar o esôfago de Barrett.

📊 pHmetria Esofágica de 24 Horas

Monitora o nível de acidez no esôfago por 24 horas, identificando com precisão quando e por quanto tempo o ácido sobe até o esôfago — e sua correlação com os sintomas.

📏 Manometria Esofágica

Avalia a força e a coordenação das contrações musculares do esôfago durante a deglutição, verificando o funcionamento do esfíncter esofágico inferior.


Qual o Melhor Tratamento para o Refluxo?

O tratamento da DRGE é individualizado e pode envolver mudanças no estilo de vida, medicamentos e, em alguns casos, cirurgia.

🥗 Medidas Não Medicamentosas (Fundamentais!)

Antes de recorrer a remédios, mudanças no estilo de vida podem resolver ou controlar significativamente os sintomas:

  • Manter peso saudável — reduz a pressão sobre o estômago e o esfíncter
  • Parar de fumar — o tabagismo prejudica diretamente o funcionamento do esfíncter
  • Elevar a cabeceira da cama em 20 cm — blocos de madeira sob os pés da cabeceira são mais eficazes que travesseiros extras
  • Não deitar após as refeições — aguarde pelo menos 2 horas antes de se deitar
  • Comer devagar e mastigar bem — refeições menores e sem pressa reduzem o refluxo
  • Evitar alimentos gatilho — frituras, molho de tomate, chocolate, hortelã, cebola, alho, álcool e cafeína
  • Usar roupas folgadas na cintura — roupas apertadas aumentam a pressão abdominal

💊 Medicamentos para Tratamento do Refluxo

Quando as mudanças no estilo de vida não são suficientes, o gastroenterologista pode indicar:

Antiácidos (Mylanta, Pepsamar, bicarbonato). Proporcionam alívio rápido dos sintomas, mas não tratam as lesões do esôfago. O uso prolongado pode causar diarreia, alterações no metabolismo do cálcio e acúmulo de magnésio — especialmente perigoso para quem tem doença renal.

Se você usa antiácidos mais de 2 vezes por semana, é hora de consultar um especialista.

Bloqueadores H2 (cimetidina, famotidina): Reduzem a produção de ácido por até 12 horas. Agem mais lentamente que os antiácidos, mas com efeito mais duradouro.

Inibidores da Bomba de Prótons (IBP) (omeprazol, pantoprazol, esomeprazol, lansoprazol): São os medicamentos mais eficazes para controlar o refluxo e permitir a cicatrização do esôfago. O uso crônico e sem acompanhamento médico pode causar deficiência de vitamina B12, magnésio, gerar pólipos de glândulas fúndicas e aumentar o risco de infecções gastrointestinais.

Bloqueadores Ácidos Competitivos de Potássio (PCAB) (vonoprazana): Uma classe mais nova de medicamentos com efeito ácido-inibitório potente e de início rápido — já eficaz desde a primeira dose.

Baclofeno: Reduz a frequência dos relaxamentos do esfíncter, sendo útil em casos específicos. Pode causar fadiga ou náuseas.


🔧 Cirurgia para Refluxo Gastroesofágico

Quando os medicamentos não controlam adequadamente a DRGE ou há grande hérnia de hiato associada, o tratamento cirúrgico pode ser indicado:

Fundoplicatura (laparoscópica) A parte superior do estômago é envolvida ao redor do esfíncter esofágico inferior para reforçá-lo mecanicamente. É o procedimento mais utilizado, realizado por via minimamente invasiva (laparoscopia).

Dispositivo LINX Um anel de pequenas esferas magnéticas é implantado ao redor da junção esôfago-estomacal. A atração magnética mantém a junção fechada para o ácido, mas permite a passagem normal dos alimentos.

Fundoplicatura Transoral sem Incisão (TIF) Técnica endoscópica realizada pela boca, sem incisões cirúrgicas. Ideal para casos sem grande hérnia de hiato, com recuperação rápida e boa tolerância.


Quando Consultar um Gastroenterologista?

Consulte um gastroenterologista se você:

  • ✅ Apresenta sintomas de refluxo mais de duas vezes por semana
  • ✅ Usa antiácidos ou omeprazol frequentemente sem melhora
  • ✅ Tem dificuldade para engolir, perda de peso inexplicada ou dor intensa no peito
  • ✅ Quer investigar se há lesões no esôfago que precisem de tratamento

💬 Não ignore os sinais do seu corpo. A DRGE tratada de forma inadequada pode evoluir para complicações sérias, incluindo o esôfago de Barrett e o câncer de esôfago. Um acompanhamento especializado faz toda a diferença no controle da doença e na sua qualidade de vida.

Agende sua consulta com gastroenterologista e receba um diagnóstico preciso e um plano de tratamento personalizado.


Conteúdo elaborado por médico gastroenterologista com finalidade educativa. Não substitui a consulta médica presencial.

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